Um amigo meu teve também projeto aprovado na mesma área de teatro, e não recebeu. Entrou com ação judicial contra o Estado, ganhou a causa, mas continua sem receber a verba.
Uns caras que trabalham nesse setor de cultura andaram assinando manifesto de apoio à reeleição do senhor José, direito que assiste a todo cidadão. Permito-me também expor meu ponto de vista com relação ao assunto. Falta apoio e respeito pela cultura nas gestões do ex-senador José. Não merece aprovação dos artistas e produtores culturais. Não entende a complexidade do processo cultural, falta-lhe visão para respeitar a diversidade e caminhar impregnado de uma ética e de uma filosofia que se coadune com os preceitos das políticas públicas geradas no governo Lula, onde se desenvolveu um programa de democratização e acesso à cultura nunca visto no país.
Por mais que sejamos anti PT, não podemos obscurecer o fato de que foi no governo de Lula que a cultura nacional ganhou instrumentos para que as múltiplas vozes brasileiras, em todos os quadrantes, ganhassem expressão. São milhares de vozes historicamente silenciadas, que agora cantam, dançam, produzem filmes, teatro, artesanato e meio de vida com a criação de meios “para que o povo fale, cante, grite, desenhe seus sonhos e suas vontades” como bem afirmou o cantador Emir Sader. Estou falando dos Pontos de Cultura, a revolução cultural no sentido de que é realmente uma construção de alternativas de transformação radical da realidade, tendo como protagonista o próprio povo.
Gerenciar cultura nesse novo contexto nacional é apontar caminhos, compreender realidades, aproximar as pessoas, quebrar hierarquias e construir novas legitimidades. O perfil de autoritarismo e caciquismo do senhor José não lhe confere aptidão para tão nobre e democrática tarefa.
PS (1) – Na minha terra, cobra d’água é o sujeito que não tem o poder do voto.
Fábio Mozart
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